sexta-feira, setembro 11, 2009

Falanstério 112 - Pedal Cultural 2009

Bike/Locomotiva na Estação do Ciclista. (foto: aleperenyi)

Pelo segundo ano consecutivo tivemos a realização do Pedal Cultural. Neste ano de 2009, o 7 de setembro para algumas pessoas foi um dia de pedalada, novos conhecimentos e aprendizados, vivências e amizades. Nada de tanques, desfiles militares ou cerimônias. A nossa comemoração foi pela liberdade dos cidadãos nas ruas, poder andar sem se preocupar com vagas de estacionamento, multas ou poluição gerada por nós mesmos.

"E aí Guerreiro, poucos fazem o que você faz."

Em 2008, pedalamos embalados pelo poema de Mário de Andrade, "Quando eu morrer", da Lira Paulistana. Neste ano ainda tínhamos a presença da saudosa Márcia Prado e de Paulo, Mr. Panturrilha, saudades amigos! Em 2009, decidimos pedalar de acordo com os versos de Adoniran Barbosa, na saudosa música Trem das Onze.


Visualizar Tramway Cantareira em um mapa maior

E lá fomos nós percorrer o trecho por onde passava o antigo trem da empresa Tramway Cantareira, que ia até o Jaçanã. O trem começou a funcionar no ano de 1932, mas 30 anos depois, entre 1963/1964 foi desativado para dar espaço à ruas e valorizar o uso do transporte individual. A bike/locomotiva estava marcada para sair às 9:27 da manhã na Praça do Ciclista, mas como somos charmosos atrasamos 5 minutos e às 9:32 o trem saiu.

Pedalando no Chá. (foto: aleperenyi)

Descida com glamour pela Rua Augusta, passando pelo Centro, Teatro Municipal, Viaduto do Chá, Prefeitura, compartilhamos a calçada com os pedestres, desce a Ladeira do Porto Geral (sim, antigamente ali existia um Porto). Passamos pelo Mercado Municipal e presenciamos a agitação daquela região em plena segunda-feira de feriado. São Paulo é mesmo incansável. Já tínhamos passado por algumas estações do antigo trem, como Pari e Tamanduateí.

Ladeira do Porto Geral.

Pegamos a Avenida Cruzeiro do Sul e passamos por cima do bravo e guerreiro Rio Tietê. Chegamos no Parque da Juventude (antigo Carandiru) e paramos para lotar por completo os paraciclos do parque. O sol estava forte, nenhuma nuvem e um belo céu azul. O trem/bike fez uma parada de 20 minutos para os passageiros conversarem, beberem ou comerem. Nesse meio tempo novos integrantes entraram na locomotiva.

Click. (foto: aleperenyi)

Todos prontos e saímos para pedalar na Zona Norte em direção ao Jaçanã. Fizemos um caminho por dentro para evitar grandes avenidas e numa dessas ruas pequena um pneu furou. Mais uma longa parada para consertar um dos vagões.

Aqui passava o trem.

Vagão consertado, partimos de novo. Pedalamos pela Rua do Tramway e passamos pelo local da antiga estação Vila Mazzei. Cruzamos a Avenida Tucuruvi, pegamos uma descida gostosa. O nosso maquinista estava um pouco perdido, pois estava acostumado com os montes andinos e ficou assustado com os veículos paulistanos. Mas chegamos ao Jaçanã e passamos pela estação onde Adoniran não podia perder o trem que saía às 11 horas, porque senão só amanhã de manhã.

Diferença. (foto: luddista)

Pedalamos pela Rua do Horto e chegamos ao Horto Florestal, que antigamente tinha algumas estações como Pedra Branca, Modelo e Parque Modelo. O engarrafamento era grande para quem ia de carro, mas a locomotiva seguia tranquila pelas ruas de acesso ao Parque. Mais uma vez lotamos outro bicicletário, agora do Parque do Horto Florestal. A maioria tinha sede e fome, e cada um foi atrás de seus quitutes preferidos. Caldo de cana, picolé, cerveja, x-tudo, queijo quente, bolos e etc. Outros mais prevenidos trouxeram a comida de casa.

O descanso merecido.

Muitas risadas e sorrisos. Aos poucos, grupos iam se dividindo com destinos diferentes. Alguns preferiram curtir o fim da tarde do feriado deitados na grama, olhando macacos e comendo mexerica. Foi um dia glorioso, conhecemos como era o trajeto de um meio de transporte inteligente e charmoso. Quando acabaram com a estação, Adoniram disse: "Moro e trabalho aqui mesmo no meu bairro Jaçanã, mas sofri uma grande decepcão quando disseram: Vá lá embaixo ver, tão derrubando nossa estação.". Agora o veículo individual prevalece e nos resta lembrar de uma época que não volta mais (?).


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2 comentários:

marciocampos disse...

Ae fióte, foi bom, foi não? Aquele sol valeu de tudo, valeu não ?

O povão que apareceu esse ano deixou a coisa meio confusa, mas ter os amigos lá é bom demais.

E vê se agora só usa "tanga colada", hein, fióte, assim não faz que nem o papa...hahaha...

Abração, tu sabes que estás no coração...

Márcio Campos

Fourier disse...

Fala Marcinho.

Só tanga colada mesmo!

Esse negócio de Cycle Chic tô fora!

Vc está está no lado esquerdo também!!!

Abração Mestre!