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quarta-feira, julho 30, 2008

Falanstério 73 - Gracias, Graciosa!

As cercas são pontes.

Após um dia que parecia não terminar, outro como este começou. Às seis da manhã estava de pé. Quando cheguei no café da manhã já tinha alguns companheiros da viagem para a Graciosa. Aos poucos outros foram chegando e a pequena sala de café do hotel nunca teve tanta gente reunida num domingo às 6 da manhã. O bonde para Morretes estava grande e chegamos ao número de 25. Felipe de Curitiba foi o nosso guia. Fez seu trabalho muito bem. Um grande homem, exemplo de fraternidade.

Indo para a Graciosa.

Enquanto tirávamos a foto oficial da saída com todos reunidos na frente do hotel o punk-rock baiano que não iria pedalar, resolver jogar água na galera, pois estava irritado com a pertubação do seu sono. Mais uma cena hilária da viagem. A partida estava programada para as 7, mas saímos realmente as 8. Depois que todos comeram e calibraram seus pneus partimos.

Portão principal.

Antes de começar o relato uma salva especial para as mulheres do grupo. Chantal, Aninha, Raquel, Paula e Paty. Bravas guerreiras. Invejaram muitos marmanjos. Foram nossas desbravadoras. Principalmente duas. Chantal e Paty que não estão muito acostumadas a pedalar, mas depois dessa viagem com certeza já são experientes.

Recuperando.

Retomando a cicloviagem andamos um pouco por dentro da cidade e pegamos um trecho da BR. De lá fomos por dentro até começar a Estrada da Graciosa. As belas visões já começavam com muito verde. O clima estava ótimo, cada minuto que passava mais quente ficava. E com tanta gente boa reunida não tinha como sentir frio.

No meio da natureza.

Algumas subidas que eram encaradas tranquilamente e logo chegamos na Graciosa. A primeira visão foi a estrada de terra. Adoro terra. Muito bom. Ainda bem que meu pneu trator serviu para algo. O caminho estava lindo. Muitas árvores, igrejinhas no meio dele, animais como ovelhas, cachorros, bois, cavalos e passáros. Me lembrou muito Santiago de Compostela.

Subindo!

Algumas paradas para reagrupar o pessoal, pois o ritmo de alguns era maior do que os outros. Mas como verdadeiros espartanos tínhamos nosso lema "Não abandonamos ninguém". O bom das paradas que podíamos tirar fotos, repôr energias; comendo e bebendo. E aqui deixo um agradecimento especial para Albert, que com muita maestria ficou no final do pelotão encarregado de fechar e sempre acompanhar quem ficava para trás, especialmente a nossa fotógrafa Paula que não resistia as belas paisagens para fazer seus flashes.

Os temidos paralelepípedos. (foto: ciclobr)

Depois de muita terra encontramos os asfalto. Alguns ficaram até felizes em rever os carros. Andamos na autovia e fizemos nossa Massa Crítica numa estrada federal. Os carros tinham que desviar, foi lindo. Logo depois disso a melhor parte da Graciosa começou. O pedaço da serra com paralelepípedos. Temidos por muitos quando chove. Mas para nossa felicidade o sol estava radiante e a única preocupação era freiar. Impressionante como treme. As mãos doíam muito, mas todos resistiram com louvor e força e encararam as pedras juntas da serra do sul brasileiro. Pena que a bela e guerreira Chantal teve uma queda. Depois de encarar todo o caminho anterior, ela ainda desceu sem suspensão, que força! Mas com o balançar dos paralelepípedos as mãos dela não aguentaram e por um deslize ela foi ao chão. Mas o nobre Albert estava perto e ajudou a se reerguer. Esperávamos o grupo que ficou para trás numa barraca de pastel e caldo de cana no meio da serra. Chantal apareceu, ainda não tinhamos conhecimento da queda. Ela nos contou que caiu e todos ficaram preocupados. Mas a força desta mulher não é pequena e ela disse que estava bem. Parabéns Chantal. Ainda desceu o restante da Graciosa e chegou ao Morretes como uma Lady.

Descendo vibrando.

A Massa estava toda reunida novamente e terminamos a nossa descida da serra. No pequeno trecho de asfalto que ainda pedalamos até Morretes mais belas imagens para enfeitar nossa vista. Cachoeiras, morros, rios e corrégos. Vai ser díficil esquecer isso. Aos poucos fomos chegando até o local que o ônibus fretado por nós nos esperava. Ao lado de uma igrejinha, era esse o cenário de nossa parada final. Juntos nos reunimos e brindamos a vida. Todos chegaram. Alguns machucados, mas com certeza sem dor. Apenas com cicatrizes de alegria e satisfação. Parabéns a todos que fizeram essa cicloviagem. Obrigado pela companhia.

Quase em Morretes.

* Na volta para São Paulo ainda tivemos que correr, porque já tinhamos passado do check-out. Banhos tomados rapidamente, lanches no mercado ao lado e geladeira do ônibus abastecida. Foi díficil dormir na volta. Capitão Lacerdinha, Punk Rock Baiano e Pastor Canna foram os maestros da orquestra. Uma "guerra" foi armada entre o fundão e o povo idoso da frente. Mas tudo foi resolvido. Lembrando que a música tema da viagem foi "Do Leme ao Chantal", criado pelo Pastor Canna enquanto pensava na vida. Muitas piadas, muitas risadas e finalmente quando o novo líder dormiu as pilhas acabaram. Chegamos em SP por volta das duas da manhã. Retiramos nossas bicicletas dos bagageiros e cada um seguiu seu rumo. Mas todos estão marcados eternamente. Ninguém ficou sozinho, ninguém pedalou só e ninguém ficou abandonado. Porque aqui o que vale é a união. Parabéns família Bicicletada!

Chegamos!!

segunda-feira, julho 07, 2008

Falanstério 68 - Nas Curvas de Santos

De São Paulo para Santos. (foto: fahrrad)

Esta com certeza foi a maior aventura feita pela Bicicletada. Não digo maior em relação ao número de participantes e sim falando sobre as experiências vividas e as cenas vistas. Uma pena que nem todos foram nesse pedal insano.

Reunião na padaria. (foto: aninha)

Esta foi a segunda cicloviagem dos integrantes da Massa Crítica. A primeira tem o relato do amigo Pedalante. Denominada de Bicicletada Interplanetária - Prólogo, lá fomos nós, 13 bravos pedalantes saindo da selva de pedra rumo as areias brancas de Santos. O nome já remete o que seria a adrenalina sentida. Foi o prólogo, porque vamos fazer a oficial em dezembro, com centenas ou milhares marchando até Santos para comemorar a chegada do verão. Testamos a Imigrantes, a estrada da Manutenção e também a cidade de Santos.

Antes de pegar estrada verifique os pneus. (foto: fahrrad)

O dia estava escuro quando saí de casa. Às 6 da manhã encontrei o André no meio do caminho e fomos juntos para a Praça do Ciclista. Enquanto pedalamos o sol nascia. Na chegada, vimos a Praça em obras. Será que irão colocar a placa identificando que ali fica a Praça do Ciclista? Veremos. Ali foi o primeiro ponto de encontro para a partida rumo ao litoral. Eu, André, Bruno, Daniel, Aninha, Fabricio e a Rosinha (mascote do passeio) partimos rumo ao Metrô Santa Cruz encontrar outro grupo. Antes, Mathias e Kelaine passaram por nós rumo ao trabalho.

Pela Imigrantes não pode! (foto: ciclobr)

Pedalada na Avenida Paulista vazia neste sábado agradável e com muito sol. No Metrô nos juntamos com Leandro, Alexandre, Juliana e Márcio Campos. Antes do pedal começar a rodar pra valer, uma parada na padaria para encher a barriga e no posto em frente para calibrar os pneus. Dali começamos.

A Bicicleta é mesmo uma arma Benjamim? (foto: fahrrad)

Saímos por volta de 8:30 de São Paulo rumo à praia. Chegamos logo na Imigrantes e o ritmo estava bem tranquilo. Pequenos aclives e longas descidas eram nosso cenário. Caminhões passavam rapidamente ao nosso lado e provocavam um vento muito forte. Alguns buzinavam apoiando e outros reclamando. O acostamento da rodovia virou uma bela ciclovia.

Recuperando energia. (foto: ciclobr)

Íamos tranquilo, alegres e conversando. Fizemos mais uma parada num posto no meio da rodovia. Usamos o banheiro e comemos mais um pouco. Por lá encontramos o Mario e mais dois pedalantes da Bicicletada. Agora sim a Massa estava formada; 13 ciclistas mais a Rosinha que momentos antes havia pegado um vácuo no caminhão que quase ficou branca.

Off-Road! (foto: ciclobr)

Recomeçamos no mesmo ritmo e logo avistamos um carro da Ecovias. A mulher gritou "Não pode", ignoramos e continuamos. Mas ela passou um rádio para o posto policial em frente e fomos impedidos de continuar. Argumentamos bastante, levamos a lei que permite nossa ida pela Imigrantes, mas eles rebatiam usando a placa de proibido bicicletas. Num instante, um caminhão que havia sido parado pela blitz "fugiu" e os dois policiais saíram correndo com suas duas viaturas atrás do "fujão". Foi uma cena hilária, porque um dos policiais ficou tão empolgado com a saída do caminhão à 10km por hora que saiu gritando: "Tirem as bicicletas da frente, ele fugiu". Esse com certeza é um homem da lei.

Brilhando na serra. (foto: fahrrad)

Ficamos sozinhos no posto policial pensando em que fazer. Um dos policiais voltou de ré no acostamento da Imigrantes e argumentou um pouco mais conosoco. Um Sargento apareceu e disse todo truculento: "Se descer pode prender"; e saiu cantando pneu. No final decidimos ir pela estrada da Manutenção. Foi até bom, porque o homem da lei parou os dois lados da Imigrantes para gente atravessar. Foi sensacional ver caminhões, carros e motos pararem para ver a Massa passar.

Parem a Imgrantes, queremos pedalar. (foto: fahrrad)

Apesar da descida da Imigrantes ser mais fácil e mais rápida, nada compensa o visual pelo outro caminho. Que maravilha. Logo que entramos já mudamos de terreno e parecia mountain-bike. Mas foi um curto período. Erramos pela primeira vez o caminho e um cachorro barulhento junto com seu dono na moto (que carregava um facão) nos disse o caminho certo. E nos alertou que a Polícia Ambiental estaria esperando a gente!!

Harmonia com a natureza. (foto: fahrrad)

A partir daí a diversão começou. Altas descidas, grandes velocidades e o contraste. Kilos de concreto eram refletidos pela linda natureza da serra. Cachoeiras complementavam o visual. Algumas subidas longas eram os desafios, mas nada que impedia o pedal. O visual era realmente dislumbrante. Finalmente conhecemos as curvas da estrada de Santos.

Ciclistas/tatus. (foto: fahrrad)

No final recebemos um aviso do guarda florestal que agora para descer por ali teríamos que ter autorização. Ouvimos e fomos embora. Subimos um trecho de difícil acesso e brotamos na Imgrantes como tatus da terra. Por lá seguimos até a cidade. Um pneu trocado na caminho pelo Márcio, uma parada para banheiro e lanche e finalmente chegamos em Santos.

Massa Crítica no Estlingão praiano. (foto: ciclobr)

Fomos recebido com uma ciclovia que até tinha semáforo para ciclistas. Paulistanos incrédulos tiravam fotos daquela rara cena. Pena que a ciclovia acabava do nada. Íamos ansiosamente rumo a areia e ao mar. Antes uma barulheira da Massa dentro do túnel para avisar a todos daquela cidade que a Bicicletada Interplanetária estava passando.

Miragem?? Não, é ciclovia mesmo. (foto: ciclobr)

Alguns kms depois enfim a praia estava em nossos pés. Que sensação de "dever cumprido". Pedalamos na areia. Brincamos como crianças e cansados sentamos nas cadeiras de um quiosque. Comemoramos comendo e bebendo. Contando anedotas (havia um ser misterioso que usou a pia do banheiro como bidê) e dando gargalhadas curtíamos a maresia. Foi um momento inesquecível.

Merecido descanso. (foto: ciclobr)

Da praça até a areia foram 90 kms. Quase 4 horas de pedal. Ficamos cerca de 3 horas em Santos e o Prólogo foi feito. Alimentados e recuperados partimos para a rodoviária. Dois ficaram em Santos, Alexandre já tinha partido antes e Fabricio voltou só para o ABC. Para a capital, 9 bicicletas dentro do ônibus. E mais uma bicicletinha da vó orgulhosa do presente que iria dar para o neto. E assim voltamos. Conversando com várias idéias na cabeça, planejando a próxima aventura. Nossos corações estavam emocionados e a nossa mente trabalhava querendo mais. O corpo pedia um descanso, mas nunca uma parada. Por isso pedaleremos até o infinito, porque com amigos vamos longe.

O mais novo ciclista. (foto: fahrrad)

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