sábado, novembro 04, 2006

Falanstério 31 - Praça de Guerra na Sumaré

(Foto Agência Estado)

No dia 18 de setembro, foi inaugurada em São Paulo, a faixa exclusiva para motos na Avenida Sumaré. Como já foi retratado aqui, no primeiro dia, duas pessoas foram atropeladas pelas motos que passavam no local, devido a falta de informação, faixas para pedestres e semáforos. No dia 20 de outubro, a aluna da Faculdade Sumaré, Renata Cristina da Conceição foi atropelada por uma moto quando se dirigia para a faculdade, às 18:30. Revoltados, os alunos decidiram fechar as duas faixas da avenida para fazer um protesto. Com a inserção da faixa, a travessia da avenida ficou mais perigosa ainda, por isso os alunos já mandaram para a Prefeitura 87 ofícios reivindicando uma passarela ou semáforo para eles atravessarem. O sinal mais próxima fica a 700 metros da instituição.

Como eles escolheram um local não muito recomendado para protestar (no meio da rua, onde os carros desfilam), a preparada e eficiente polícia foi chamada. Por volta das 20:50 eles chegaram dando três minutos para os alunos saírem da rua, após um minuto os policiais começara a atirar balas de borracha e bombas de efeito moral. Resultado da fantástica operação contra pessoas que representam perigo para a sociedade: Sete feridos. Os alunos até podem ter resistido de saírem da rua, mas eles estavam apenas querendo chamar a atenção das autoridades para o problema que eles mesmos criaram. Nada nesse mundo justifica a violência e se a polícia fosse preparada o suficiente argumentava com os estudantes e eles com certeza deixariam a avenida.

Toda essa mobilização e violência foi criada pela faixa. Concordo que ela tem o intuito de reduzir as mortes dos motociclistas (10 acidentes por dia), mas para ser colocada deve ter uma planejamento decente e não apenas joga-lá no meio do povo, se esquecendo dos pedestres. A Companhia de Engenharia e Tráfego disse que em três meses deve ser colocado um semáforo perto da faculdade. O prefeito Gilberto Kassab disse que vai pressionar a CET para a inserção de uma faixa para pedestres. Vamos ver mais quantas pessoas serão atropeladas na faixa durante o período prometido.

Para se ter uma idéia como é a faixa para motos na Sumaré e também a faixa cidadã na Avenida Rebouças, veja este vídeo. Quando eu assiste eu fiquei imaginando, em vez de estar escrito ''moto'', poderiam escrever ''bicicleta'', na faixa. Sonhos!!!

2 comentários:

Marilce disse...

Concordo plenamente com você, poderia ser uma ciclovia, ao invés de faixa para motos.
Esse pessoal que lança essas coisas nas cidades, parece que tem a cabeça oca, eles parecem não pensar na população.

Adrian disse...

mas é justamente pensando na população que colocaram a faixa...

faltou faixa de pedestres? coloca, tem que colocar mesmo...

faltou semáforo? coloca, 700 metros é muito para uma pessoa andar a pé, mas, se nao tem faixa para pedestres, não meta o pé no asfalto, brasil nao tem a edução da inglaterra...

agora imagina as reclamações dos motoristas por ter que enfrentar mais um semáforo "por causa de uma faculdade".

ou as queixas dos alunos pq o semaforo demora demais para abrir (pois em uma avenida, nao pra pra ficar atravancando o transito)

tudo tem uma causa e efeito, só falta a cet se lembrar disso e fazer estudos antes de passar o pincel no chão definindo uma nova faixa na via, tem que pensar em tudo...