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terça-feira, fevereiro 01, 2011

Falanstério 120 - Bici Anjo em Niterói

Hoje, (01/02/11) acompanhei o arquiteto Glauston Pinheiro, Chefe de Divisão de Projetos da Nittrans (Niterói, Transporte e Trânsito) no trajeto casa-trabalho de bicicleta.

Pedalando na orla de Niterói.

Glauston está fazendo um ótimo trabalho na Secretaria de Transportes de Niterói. Assumiu sozinho a responsabilidade de montar uma comissão de mobilidade urbana, principalmente no assunto Bicicleta. E colocou na raça uma excelente ciclofaixa na Estrada Fróes que liga dois bairros da cidade.

Ciclofaixa que liga dois bairros de Niterói.

Para saber mais, acesse o site da pesquisa da Diretoria de Planejamento, chamado de NitBikers.

Convenci o Glauston a ir pedalando para o trabalho. Andar de bicicleta em Niterói é muito fácil e gostoso, além do visual da Baía de Guanabara e da orla que é fantástico.

Ao fundo, o MAC, de Oscar Niemeyer.

A cidade é totalmente plana, com pequenos aclives, mas qualquer um com um mínimo de preparo consegue vencer os morros da cidade.

Glauston sempre vai de ônibus para o trabalho. O trajeto dura 20 minutos. Saímos de sua casa e fizemos um trajeto tranquilo, pelo calçadão de Icaraí, passamos pelo bairro do Ingá e logo já estávamos no Centro de cidade.

Três ciclistas no mesmo quadro.

Pedalamos pela Avenida Visconde do Rio Branco, que é mais movimentada e tem muito tráfego de ônibus. Foi o único momento mais complicado, pois um motorista de ônibus não esperou a gente passar pelo ponto e deu a clássica fechada nos ciclistas.

Esperando o semáforo abrir.

Depois fizemos a conversão para a direita e chegamos na Secretaria de Transportes. Um trajeto de 5km, percorrido em 20 minutos, com calma, sem pedalar rápido, conversando, não poluindo e fazendo bem para a saúde.

Chegando na Nittrans.

Glauston disse que gostou muito da experiência, não ficou cansado e chegou muito mais disposto para trabalhar.

4,5km em 20 minutos.

Niterói tem um potecial enorme para ter um planejamento cicloviário de primeira qualidade e muita coisa boa vem por aí. E 2011 com certeza será o ano das bicicletas na cidade fluminense.

O trajeto que fizemos pode ser visto aqui.


Pronto para trabalhar.

E logo mais atualizo o post, pois também vou acompanhar a volta para casa do Glauston de bicicleta.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Falanstério 119 - Vistoria do novo trecho da Ciclofaixa de Lazer

A Ciclofaixa de lazer "funciona" somente aos domingos das 7h00 às 14h00. No dia 23/01/2011, ela será ampliada até o Parque Villa Lobos.

Novo trecho da Ciclofaixa de lazer, clique na imagem para ampliar.

O circuito é uma volta de 15km ida e 15km volta entre os Parques da Bicicleta, Ibirapuera, do Povo, Villa Lobos e passando por duas pontes, Cidade Jardim e Cidade Universitária.

Abaixo algumas fotos. Todas as fotos podem ser vistas aqui.

Trecho da Ciclofaixa de Lazer em mão dupla na Rua Alvarenga.

Semáforo para bicicletas na Alameda dos Tajurás.

Sinalização na faixa da direita da Avenida Lineu de Paula Machado, Morumbi.

Veja o vídeo feito na passagem subterrânea que liga a Avenida Lineu de Paula Machado com a Avenida Valdemar Ferreira.



terça-feira, outubro 20, 2009

Falanstério 113 - Pedalada do Casório


Reproduzo na íntegra o convite do casamento do amigo Willian Cruz, do excelente blog Vá de Bike. Neste sábado, ele e sua noiva Priscila irão se casar; e o meio de transporte até o cartório será, claro, de bicicleta. A cidade inteira está convidada!

A Pedalada do Casório é nesse sábado!

Não esqueça! É nesse sábado, dia 24, que eu e a Priscila vamos nos casar de bicicleta. A partir das 9h estaremos na Praça do Ciclista (Paulista com Consolação) e às 9h30 sairemos em direção ao cartório, que fica na Av. Jabaquara, ao lado do metrô Saúde

Depois do enlace vamos para a lanchonete Subway do Paraíso, na R. Vergueiro, 1954 (entre as estações Ana Rosa e Paraíso do Metrô), com previsão de chegada às 12h30, onde cortaremos o bolo. Quem quiser pode aproveitar para almoçar por lá. Vamos encher a frente da loja de bicicletas!

Vá de bike!

Se você está sem bicicleta, você pode alugar uma nos estacionamentos da rede Estapar da Av. Paulista (Top Center, Hospital Santa Catarina, Conjunto Nacional e Colégio São Luiz) ou nas estações de metrô Paraíso e Vila Mariana. Primeira hora grátis, R$ 2 a hora adicional, ou tudo de graça se você for cliente da Porto Seguro. E você pode devolver na estação Paraíso na volta, quando pararmos na lanchonete (é pertinho, dá pra ir a pé).

O caminho é todo plano e vamos pedalar sem pressa, para todo mundo acompanhar, mesmo quem não tem lá aquele preparo físico. E se você achar que não aguenta pedalar o trajeto todo, pode se juntar à turma pelo caminho (Paulista - Vergueiro - Dom.Morais - Jabaquara). Estaremos usufruindo do nosso direito de circular de bicicleta pelas ruas da cidade em um grupo grande de ciclistas, o que traz mais segurança para todos. Pode levar esposa, mãe, irmã, namorado, filhos, amigos... O importante é estar de bicicleta!

Ah, aos sábados o Metrô aceita bicicletas a partir das 14 horas. Se você fizer um tempo com a gente ali na lanchonete, dá para ir embora de metrô depois, com bike e tudo.

Willian Cruz
+ Vá de Bike! +
Twitter: @wcruz

sexta-feira, setembro 11, 2009

Falanstério 112 - Pedal Cultural 2009

Bike/Locomotiva na Estação do Ciclista. (foto: aleperenyi)

Pelo segundo ano consecutivo tivemos a realização do Pedal Cultural. Neste ano de 2009, o 7 de setembro para algumas pessoas foi um dia de pedalada, novos conhecimentos e aprendizados, vivências e amizades. Nada de tanques, desfiles militares ou cerimônias. A nossa comemoração foi pela liberdade dos cidadãos nas ruas, poder andar sem se preocupar com vagas de estacionamento, multas ou poluição gerada por nós mesmos.

"E aí Guerreiro, poucos fazem o que você faz."

Em 2008, pedalamos embalados pelo poema de Mário de Andrade, "Quando eu morrer", da Lira Paulistana. Neste ano ainda tínhamos a presença da saudosa Márcia Prado e de Paulo, Mr. Panturrilha, saudades amigos! Em 2009, decidimos pedalar de acordo com os versos de Adoniran Barbosa, na saudosa música Trem das Onze.


Visualizar Tramway Cantareira em um mapa maior

E lá fomos nós percorrer o trecho por onde passava o antigo trem da empresa Tramway Cantareira, que ia até o Jaçanã. O trem começou a funcionar no ano de 1932, mas 30 anos depois, entre 1963/1964 foi desativado para dar espaço à ruas e valorizar o uso do transporte individual. A bike/locomotiva estava marcada para sair às 9:27 da manhã na Praça do Ciclista, mas como somos charmosos atrasamos 5 minutos e às 9:32 o trem saiu.

Pedalando no Chá. (foto: aleperenyi)

Descida com glamour pela Rua Augusta, passando pelo Centro, Teatro Municipal, Viaduto do Chá, Prefeitura, compartilhamos a calçada com os pedestres, desce a Ladeira do Porto Geral (sim, antigamente ali existia um Porto). Passamos pelo Mercado Municipal e presenciamos a agitação daquela região em plena segunda-feira de feriado. São Paulo é mesmo incansável. Já tínhamos passado por algumas estações do antigo trem, como Pari e Tamanduateí.

Ladeira do Porto Geral.

Pegamos a Avenida Cruzeiro do Sul e passamos por cima do bravo e guerreiro Rio Tietê. Chegamos no Parque da Juventude (antigo Carandiru) e paramos para lotar por completo os paraciclos do parque. O sol estava forte, nenhuma nuvem e um belo céu azul. O trem/bike fez uma parada de 20 minutos para os passageiros conversarem, beberem ou comerem. Nesse meio tempo novos integrantes entraram na locomotiva.

Click. (foto: aleperenyi)

Todos prontos e saímos para pedalar na Zona Norte em direção ao Jaçanã. Fizemos um caminho por dentro para evitar grandes avenidas e numa dessas ruas pequena um pneu furou. Mais uma longa parada para consertar um dos vagões.

Aqui passava o trem.

Vagão consertado, partimos de novo. Pedalamos pela Rua do Tramway e passamos pelo local da antiga estação Vila Mazzei. Cruzamos a Avenida Tucuruvi, pegamos uma descida gostosa. O nosso maquinista estava um pouco perdido, pois estava acostumado com os montes andinos e ficou assustado com os veículos paulistanos. Mas chegamos ao Jaçanã e passamos pela estação onde Adoniran não podia perder o trem que saía às 11 horas, porque senão só amanhã de manhã.

Diferença. (foto: luddista)

Pedalamos pela Rua do Horto e chegamos ao Horto Florestal, que antigamente tinha algumas estações como Pedra Branca, Modelo e Parque Modelo. O engarrafamento era grande para quem ia de carro, mas a locomotiva seguia tranquila pelas ruas de acesso ao Parque. Mais uma vez lotamos outro bicicletário, agora do Parque do Horto Florestal. A maioria tinha sede e fome, e cada um foi atrás de seus quitutes preferidos. Caldo de cana, picolé, cerveja, x-tudo, queijo quente, bolos e etc. Outros mais prevenidos trouxeram a comida de casa.

O descanso merecido.

Muitas risadas e sorrisos. Aos poucos, grupos iam se dividindo com destinos diferentes. Alguns preferiram curtir o fim da tarde do feriado deitados na grama, olhando macacos e comendo mexerica. Foi um dia glorioso, conhecemos como era o trajeto de um meio de transporte inteligente e charmoso. Quando acabaram com a estação, Adoniram disse: "Moro e trabalho aqui mesmo no meu bairro Jaçanã, mas sofri uma grande decepcão quando disseram: Vá lá embaixo ver, tão derrubando nossa estação.". Agora o veículo individual prevalece e nos resta lembrar de uma época que não volta mais (?).


Bike route 308512 - powered by Bikemap

terça-feira, agosto 18, 2009

Falanstério 106 - Flagrantes (6)

Esquina da Faria Lima com a Tucumã.

Esta colisão envolveu dois carros. Aconteceu no cruzamento da Avenida Faria Lima com a Rua Tucumã, bem em frente ao Esporte Clube Pinheiros.

Perda Total ?

Um dos veículos furou o sinal vermelho e provocou o acidente, apesar da batida forte ninguém ficou ferido. O acidente foi por volta das 7 horas da manhã.


Na chuva, atenção redobrada.

Em dias de chuva os acidentes acontecem com mais frequência. Pista molhada é sinônimo de atenção redobrada para motoristas, pedestres e ciclistas.

segunda-feira, março 02, 2009

Falanstério 92 - Bicicletada de Fevereiro 2009

Francisco Emplacado. (foto: pollyrosa)

Faz um bom tempo que eu não atualizo esse blog de verdade. Não tive mais aquela vontade de sentar e começar a escrever, ou de fazer minhas crônicas, como o amigo Toni fala. Ainda mais depois que nossa amiga Márcia se foi tive menos vontade ainda. Mas essa semana me deu vontade de novo de escrever e a inspiração voltou um pouco. Vou falar um pouco de como foi a Bicicletada de Fevereiro.

Conversa no meio do trânsito. (foto: pollyrosa)

Creio que essa foi a Massa Crítica paulistana com o maior número de pessoas. Era impressionante a quantidade de ciclistas na hora da saída. A Avenida Paulista ficou tomada pelas bikes e eu fico fazendo o corking (segurar os carros nos semáforos) e com isso consigo ver a Massa passar inteirinha. Tivemos que ocupar três faixas da Paulista e liberar apenas a faixa preferencial dos ônibus.

Bicicletada passa pela Avenida Paulista. (foto: pollyrosa)

Com o número crescente de ciclistas, mais demora para passar nos semáforos e os motoristas e principalmente os motoboys ficam muito impacientes. Num cruzamento da Paulista um motoboy ameaçou acelerar para cima da Massa. Os ciclistas do corking impediram e na hora que o motoqueiro foi arrancar de novo apenas girei a chave dele e a moto desligou. Simples! Nós não temos motor e ninguém pode desligar a gente! O motoboys (4) se exaltaram, mas a Massa se uniu. Mais de 40 ciclistas foram para cima com uma cara de "Que foi, algum problema?". Nisso os motoboys esperaram e tudo acabou bem. É exatamente o que eles fazem quando tem algum acidente envolvendo carro e moto.

Corking. (foto: pollyrosa)

Fizemos a tradicional volta pela Paulista até a Rua Pamplona. Descemos a Pamplona que ficou dominada pelas magrelas. Estava muito bonito mesmo. Passamos pelas escuras ruas do Jardim Europa. Cruzamos as Avenidas Brasil e Brigadeiro Luiz Antônio. Rapidamente passamos pela Rua República do Líbano e depois invadimos o Túnel Ayrton Senna. Um barulho dentro do túnel bom de se ouvir. Nada de motor ou buzinas e sim pessoas gritando e o barulho da corrente girando pela catraca e as luzinhas dos refletores das magrelas brilhando dentro do Túnel.

Dentro do Túnel Ayrton Senna. (foto: pollyrosa)

Chegamos na Avenida Juscelino Kubitschek, viramos na Clodorimo Amazonas e os gritos "De bike não tem lei seca" entoaram nos bares da região. Infelizmente um motorista apressado causou um atropelamento intencional numa ciclista e a polícia teve que aparecer. A Massa se dividiu, alguns foram para a Delegacia e a maioria seguiu em direção a Praça do Ciclista. Passamos por um pequeno pedaço na Avenida Faria Lima, e depois pedalamos pela Rua Amauri. Nesta rua os comerciantes dos restaurantes se uniram, mandaram uma carta para a prefeitura e pediram que os ônibus não passem pela rua, já que eles atrapalham as manobras dos valets. Piada né? Não passa ônibus para poder manobrar os carros, que beleza!

Na Avenida Nove Julho. (foto: pollyrosa)

Depois seguimos pela Avenida Nove de Julho. Parei para ajudar a Evelyn e o Mathias a trocarem o pneu da menina. Mas na verdade fiquei fazendo companhia, porque o talentoso Márcio apareceu e fez a troca num piscar de olhos. Voltamos em cinco e encontramos a Massa Crítica na Praça. Foram mais de 3 horas de uma pedalada tranquila pelas ruas da cidade. Alguns acontecimentos tristes aconteceram, mas nada que possa manchar a imagem da Bicicletada e no dia 14 de março estejam preparados, pois a Segunda Pedalada Pelada irá acontecer!

Márcia Vive. (foto: pollyrosa)

Mais fotos e relatos, clique aqui.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Falanstério 79 - CicloCine e Bicine 2008

arte: luddista

Inspirados com o Pedal Cultural, os adeptos da modalidade simples e inteligente criaram o CicloCine.

Filmes com um conteúdo voltado para o movimento independente e de propulsão humana. A primeira sessão acontece nesta quinta-feira (11/09) no Espaço Contraponto. Na abertura do festival, curtas-metragens sobre a Bicicletada e depois o atrativo principal, com o documentário Taken for a Ride. Entre, fique à vontade e puxe sua cadeira.

E aproveitando o tema de películas, uma dica Ibérica. Entre os dias 16 e 22 de setembro, irá acontecer mais uma edição do Bicine. O evento faz parte da Semana Européia da Mobilidade e será realizado na praiana Valência. Clicando aqui é possível ver a programação deste festival de curtas quem tem como tema principal a bicicleta.

O recado foi dado. Em São Paulo ou em Valência, com pipoca ou com paella o que vale é ver filme e pedalar com proeza.



Referências:

Apocalipse Motorizado - Em cartaz: Ciclocine
Pedalante - Bicine 08

domingo, agosto 10, 2008

Falanstério 74 - Operação Pomar 2.0: Conquistando o Rio Pinheiros

Bicicleta Estaiada. (foto: ciclobr)

Em julho de 2008, eu e o grande companheiro André Pasqualini desbravamos as margens do Rio Pinheiros. Pedalei pela primeira vez por lá, mas André já tinha feito uma expedição por ali um mês antes, por isso Operação Pomar 2.0.

A Invasão. (foto: ciclobr)

O Projeto Pomar, consiste na plantação de mudas ao longo da margem do Rio Pinheiros. A idéia surgiu em 1999 e possui 14 km de uma vegetação renovada, mas somente na margem esquerda. O projeto ainda prevê mais 11 km de mudas no lado oposto.

Tentando despoluir o Rio. (foto: ciclobr)

A intenção de pedalar pela margem é testar a possível ciclovia que vai ser construída. O projeto está feito e tem até um orçamento de R$ 19 milhões de reais e 44 km de vias próprias para ciclistas pedalarem. Mas infelizmente só está no papel. O percurso iria do Autódromo do Interlagos até a Ponte do Ceagesp e até possui alguns trechos prontos, com asfalto novo. O que falta é apenas sinalização e gradis para separar a linha de trem. E também o mais importante, acesso para os pedalantes utilizarem a ciclovia.

De longe, avistamos as capivaras. (foto: ciclobr)

Mas nesta expedição realizada por mim e o Pasqualini conseguimos ir longe. Entramos na altura da Ponte do Socorro e terminamos com uma refeição no Ceagesp. A intenção era essa, porque na primeira operação os ciclistas não conseguiram passar pela Usina da Traição, já que foram barrados.

O asfalto está colocado. (foto: ciclobr)

O visual é incrível e até a parte da Traição o trecho é todo asfaltado. A ciclovia está pronta só falta liberar. Pedalamos junto a linha de trem, com as garças nos acompanhando. No começo encontramos um ciclista treinando speed. Ele nos contou que trabalhava na EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e era o único que utilizava o trecho para pedalar, disse que é muto chato pedalar só. Além disso, nos contou que os funcionários da EMAE e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), usam regularmente as pistas das margens do rio tanto para uso profissional ou para pessoal, para fugir do engarrafamento que tem nas marginais. Ou seja, eles tem uma área de escape VIP, enquanto o povo que paga os impostos não pode nem entrar com suas bicicletas.

Só falta colocar grades para separar a linha de trem. (foto: ciclobr)

Depois da conversa com o speedeiro da EMAE continuamos nossa aventura e algo nos pertubava. Queríamos muito encontrar as capivaras. Na primeira expedição o pessoal só viu as placas de "Cuidado Capivara", mas agora eu e o André gostaríamos de avistá-las. No percurso somente as fezes dos animais, mas nada delas aparecerem. Mas em um momento conseguimos enfim encontrá-las. Uma família grande com muitos filhotes estavam na água. Devia ter umas 15 capivaras. Foi muito bom vê-las e dois filhotes ainda brincaram de "gladiadores", quase que se exibindo para nós. A vida saindo do lixo!

Depois de fugir dos cachorros, trilha! (foto: ciclobr)

Depois disso o momento de maior adrenalina aconteceu. Chegamos na região proibida, a Usina da Traição. Pedalamos devagar e silenciosos. Ninguém por ali. Uma curva para direita, uma para esquerda e mais outra para direita. Avistamos a saída em direção ao Rio Tietê. Ninguém presente. Momento de euforia, quase na saída, cinco cachorros vira-latas aparecem e começam a latir. Adrenalina amplificada. Os cachorros vão até nós ferozmente. André puxa o sprint e eu colo no vácuo dele. Cinco segundos depois estávamos livres e os latidos dos cachorros cada vez mais distantes. Emocionante.

Aqui poderia ter o acesso para a ciclovia. (foto: ciclobr)

A partir dali desbravamos outra parte da Operação. Nem mesmo Pasqualini tinha pedalado por lá. Depois da Usina o trecho vira terrão, off-road total. Pneus de cravo são recomendados. Uma trilha no meio de São Paulo. As garças continuavam a nos acompanhar e davam um espetáculo a parte.

Nosso visual durante todo o trajeto. (foto: ciclobr)

Pedalamos mais um pouco e saímos na altura da Ponte do Ceagesp, local onde a ciclovia deve terminar. No final uma coisa ficou óbvia. É possível uma ciclovia e a construção desse parque linear na cidade. Só um pouco de força de vontade que o projeto sai do papel. Milhares de pessoas seriam beneficiadas e São Paulo com certeza seria modelo de incentivo à bicicleta. Vamos continuar pedalando por lá e pedir nossos direitos. Porque pedalar é preciso para transformar uma cidade mais humana.


Girassóis (ciclobr)

quarta-feira, julho 30, 2008

Falanstério 73 - Gracias, Graciosa!

As cercas são pontes.

Após um dia que parecia não terminar, outro como este começou. Às seis da manhã estava de pé. Quando cheguei no café da manhã já tinha alguns companheiros da viagem para a Graciosa. Aos poucos outros foram chegando e a pequena sala de café do hotel nunca teve tanta gente reunida num domingo às 6 da manhã. O bonde para Morretes estava grande e chegamos ao número de 25. Felipe de Curitiba foi o nosso guia. Fez seu trabalho muito bem. Um grande homem, exemplo de fraternidade.

Indo para a Graciosa.

Enquanto tirávamos a foto oficial da saída com todos reunidos na frente do hotel o punk-rock baiano que não iria pedalar, resolver jogar água na galera, pois estava irritado com a pertubação do seu sono. Mais uma cena hilária da viagem. A partida estava programada para as 7, mas saímos realmente as 8. Depois que todos comeram e calibraram seus pneus partimos.

Portão principal.

Antes de começar o relato uma salva especial para as mulheres do grupo. Chantal, Aninha, Raquel, Paula e Paty. Bravas guerreiras. Invejaram muitos marmanjos. Foram nossas desbravadoras. Principalmente duas. Chantal e Paty que não estão muito acostumadas a pedalar, mas depois dessa viagem com certeza já são experientes.

Recuperando.

Retomando a cicloviagem andamos um pouco por dentro da cidade e pegamos um trecho da BR. De lá fomos por dentro até começar a Estrada da Graciosa. As belas visões já começavam com muito verde. O clima estava ótimo, cada minuto que passava mais quente ficava. E com tanta gente boa reunida não tinha como sentir frio.

No meio da natureza.

Algumas subidas que eram encaradas tranquilamente e logo chegamos na Graciosa. A primeira visão foi a estrada de terra. Adoro terra. Muito bom. Ainda bem que meu pneu trator serviu para algo. O caminho estava lindo. Muitas árvores, igrejinhas no meio dele, animais como ovelhas, cachorros, bois, cavalos e passáros. Me lembrou muito Santiago de Compostela.

Subindo!

Algumas paradas para reagrupar o pessoal, pois o ritmo de alguns era maior do que os outros. Mas como verdadeiros espartanos tínhamos nosso lema "Não abandonamos ninguém". O bom das paradas que podíamos tirar fotos, repôr energias; comendo e bebendo. E aqui deixo um agradecimento especial para Albert, que com muita maestria ficou no final do pelotão encarregado de fechar e sempre acompanhar quem ficava para trás, especialmente a nossa fotógrafa Paula que não resistia as belas paisagens para fazer seus flashes.

Os temidos paralelepípedos. (foto: ciclobr)

Depois de muita terra encontramos os asfalto. Alguns ficaram até felizes em rever os carros. Andamos na autovia e fizemos nossa Massa Crítica numa estrada federal. Os carros tinham que desviar, foi lindo. Logo depois disso a melhor parte da Graciosa começou. O pedaço da serra com paralelepípedos. Temidos por muitos quando chove. Mas para nossa felicidade o sol estava radiante e a única preocupação era freiar. Impressionante como treme. As mãos doíam muito, mas todos resistiram com louvor e força e encararam as pedras juntas da serra do sul brasileiro. Pena que a bela e guerreira Chantal teve uma queda. Depois de encarar todo o caminho anterior, ela ainda desceu sem suspensão, que força! Mas com o balançar dos paralelepípedos as mãos dela não aguentaram e por um deslize ela foi ao chão. Mas o nobre Albert estava perto e ajudou a se reerguer. Esperávamos o grupo que ficou para trás numa barraca de pastel e caldo de cana no meio da serra. Chantal apareceu, ainda não tinhamos conhecimento da queda. Ela nos contou que caiu e todos ficaram preocupados. Mas a força desta mulher não é pequena e ela disse que estava bem. Parabéns Chantal. Ainda desceu o restante da Graciosa e chegou ao Morretes como uma Lady.

Descendo vibrando.

A Massa estava toda reunida novamente e terminamos a nossa descida da serra. No pequeno trecho de asfalto que ainda pedalamos até Morretes mais belas imagens para enfeitar nossa vista. Cachoeiras, morros, rios e corrégos. Vai ser díficil esquecer isso. Aos poucos fomos chegando até o local que o ônibus fretado por nós nos esperava. Ao lado de uma igrejinha, era esse o cenário de nossa parada final. Juntos nos reunimos e brindamos a vida. Todos chegaram. Alguns machucados, mas com certeza sem dor. Apenas com cicatrizes de alegria e satisfação. Parabéns a todos que fizeram essa cicloviagem. Obrigado pela companhia.

Quase em Morretes.

* Na volta para São Paulo ainda tivemos que correr, porque já tinhamos passado do check-out. Banhos tomados rapidamente, lanches no mercado ao lado e geladeira do ônibus abastecida. Foi díficil dormir na volta. Capitão Lacerdinha, Punk Rock Baiano e Pastor Canna foram os maestros da orquestra. Uma "guerra" foi armada entre o fundão e o povo idoso da frente. Mas tudo foi resolvido. Lembrando que a música tema da viagem foi "Do Leme ao Chantal", criado pelo Pastor Canna enquanto pensava na vida. Muitas piadas, muitas risadas e finalmente quando o novo líder dormiu as pilhas acabaram. Chegamos em SP por volta das duas da manhã. Retiramos nossas bicicletas dos bagageiros e cada um seguiu seu rumo. Mas todos estão marcados eternamente. Ninguém ficou sozinho, ninguém pedalou só e ninguém ficou abandonado. Porque aqui o que vale é a união. Parabéns família Bicicletada!

Chegamos!!