Nasce mais um girassol.
A Bicicletada de São Paulo terminou por volta das 23:00 horas para a maioria, mas para quase 40 bikerlocos ela ainda iria continuar. Isso mesmo. Um ônibus fretado nos aguardava à meia-noite na Praça do Ciclista com destino à Curitiba. Nossa viagem estava programada para chegar lá de manhã e participar junto com piás e gurias na Bicicletada da capital paranaense. Lá acontece no último sábado de cada mês.
Enquanto o ônibus não chegava os remanescentes conversavam na praça. Diversas pizzas foram pedidas. Coincidentemente as pizzas e o ônibus chegaram juntos. Nós tínhamos a missão de colocar 37 biciletas dentro do ônibus. E enquanto fazíamos isso comíamos as pizzas. Foi uma cena inusitada. Coordenados pelo Mestre Pasqua a missão foi cumprida e fechamos as portas do bagageiro rumo à Curitiba.
"A" Fotógrafa. Saímos quase 2 horas da manhã de São Paulo. O motorista um pouco perdido deu ainda mais uma volta pela praça. Durante a semana a promessa era de que ninguém iria dormir no ônibus e parecia que seria isso mesmo. Regados com vinhos, cervejas o povo ia animado. Apitos que foram distribuídos na Bicicletada paulistana eram usados para evitar que os dorminhocos pudessem descansar. A galera estava eufórica e a viagem prometia e muito. Paramos em Registro para um lanche e seguimos viagem. Ainda bem que o motorista não dormiu. Ficamos sabendo que ele estava com a noite virando no trabalho. Por isso os fumantes do bonde se revezam para manter ele acordado. O principal era o Mário Canna que descobriu toda a vida do condutor. Até ficou sabendo que ele herdou a profissão do pai.
A bicicleta leva o carro.Chegamos por volta das 8:00 horas. Paramos na reitoria da Universidade Federal e apenas 3 ciclistas nos esperavam, inclusive o Eduardo Cooper, curitibano gente fina que usava uma engraçada cartola. Na hora fiquei um pouco decepcionado, pois esperava uma grande recepeção. Mas ainda estava muito cedo. A concentração era a partir das 10:30. Famintos fomos tomar nosso desejum. Mas antes tivemos que tirar todas as magrelas do ônibus e remontá-las. Esta tarefa foi mais fácil. A maioria optou por um café da manhã no Mercado Municipal da cidade, que foi bastante saboroso.
Passamos nossa mensagem em Curitiba.Na volta até a reitoria a Massa já estava bem grande, mas a maioria era de paulistanos. Chegando lá o pessoal de Curitiba estava em peso. Agora sim a Massa Crítica estava formada. Muitas pessoas enfeitadas, balões, muitas crianças e casais. O clima era festivo e amigável. O frio prometido pelos meteorologistas não veio e o sol saiu para nos aquecer.
Família reunida. Onze da manhã a Massa partiu. A maior da história de Curitiba. Atingiram 3 dígitos pela primeira vez, éramos mais de 150. Ocupávamos todas as faixas. Estava lindo. Panfletagem, as faixas feitas em São Paulo eram mostradas. Pessoas nas ruas tiravam fotos e olhavam admiradas. O grito mais cantado foi: "Menos caros, mais Bicicletas!". Chegando no Centro um grande comício acontecia com os candidatos das eleições. Um dos nossos pegou o microfone e entoou a música do Plá (que só iria aparecer mais tarde) "Invasão das Bicicletas". Todos cantaram juntos e no final levantaram suas magrelas como vencedores.
Dali continuamos nosso passeio. O legal que em Curitiba o pessoal faz a chamada mandala (rotatória). Peagamos um grande cruzamento e ficamos dando voltas, enquanto os carros observavam o balé das bikes. Isso com certeza vai ser utilizado em SP. Os gritos continuavam e a cidade estava mais bonita. Finalizamos no Museu Oscar Niemeyer, mais conhecido como Olho. Mais uma mandala no chão de vidro e uma versão de blues e jazz da "Invasão das Bicicletas" com gaitas e triângulos. Quando estávamos no museu um grupo de meninas de dança de Timbó, Santa Catarina apareceu. Eram belas meninas. A massa masculina ficou empolgada e pediu algumas palhinhas de dança. Elas fizeram uma mini-apresentação para nós que ficou muito boa. E dois dos nossos ainda fizeram passos de street.
Força Tarefa ciclofaixa PR/SP.Depois dessa festa toda, a fome bateu. Como a Bicicletada é democrática o grupo se dividiu em dois. Para um lado veganos e vegetarianos e para o outro carnívoros. Fui para a turma da carne. No caminho andamos por algumas ciclovias. Não gostei. Primeiro porque eram compartilhadas com pedestres, e muito estreitas. O asfalto não estava bom. Mas tudo bem isso não era problema. Achamos um buffet que come à vontade por R$ 10,00 e lá fomos nós. Famintos acabamos com a carne e depois encontramos os saladeiros.
Bicicletada musical Voltamos para o ônibus, pegamos as malas e fizemos nosso check-in no Hotel Golden Star. Simples, porém confortável. Depois de um banho não consegui dormir e um grupo resolveu fazer um bike tour pela cidade. Na saída eis que surge o fantastico Plá! Com um violão nas costas e uma bolsa mágica ele apareceu do nada. Cantou 3 músicas para nós ao vivo na rua, em frente ao hotel. Além de cantar duas vezes "Invasão das Bicicletas" ele ainda profetizou a nova "Todo mundo tem um pouco". Sensacional essa visita. Depois de autógrafos e fotos e um convite para o Plá ir para Sampa fomos pedalar. Passamos no porão onde alguns ciclistas paulistanos estavam reunido para falar um pouco da nossa bicicletada e fomos encontrar o pôr do sol. Íamos ver na Ópera de Arame, mas era muito longe. Chegamos só de noite e não conseguimos entrar. Mas valeu a pena, porque no caminho Siqueira, Haase e Luciano grafitaram numa bicicletaria de Curitiba.
Plá ao vivo.Na volta para o Hotel, nenhum descanso. Roupas trocadas para aguentar o frio da noite e fomos buscar um bar ou restaurante para curtir a noite. Depois de muito andar o grupo se dividiu. Alguns numa cantina e outros no restaurante alemão. Fiquei no alemão. Muito divertido. Tinha cerveja com canequinhas dentros. Na caneca cachaça recheava o copo. Os chamados submarinos foram o sucesso da noite. Muitos foram afundados por nós, principalmente por Toshio e Haase. Eu como não sou muito de beber, terminei minha refeição e fui deitar. O dia seguinte prometia. Iríamos sair as 7:00 da manhã para encarar a Estrada da Graciosa, rumo a cidade de Morretes. Finalmente consegui dormir. A cabeça estava tranquila, o coração feliz e a alma purificada em ter começado essa viagem e ter vivido cada momento com entusiasmo. Conhecer pessoas novas, lugares novas, rir com amigos. São coisas simples, mas fantásticas e agradeço a todos por os momentos vividos. Deitei pensando na Graciosa e ela pensando em mim.