Mostrando postagens com marcador curitiba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador curitiba. Mostrar todas as postagens

sábado, julho 31, 2010

Falanstério 116 - Sustentáculos - Mobilidade Urbana

O quarto episódio do Sustentáculos teve como tema mobilidade urbana. Um tema que entendo bastante e aprecio. Já que uso a bicicleta como meio de transporte e sei como é se mover sem pegar congestionamentos por aí.

Muitas cidades do Brasil já estão saturadas de tanto automóveis e com pouco investimentos no transporte coletivo fica difícil mudar essa situação. Mas temos bons exemplos, como na cidade de Curitiba que passou por uma transformação com as ideias do arquieto e prefeito Jaime Lerner. E foi para lá que eu fui, conhecer o sistema de ônibus Ligeirinho.

O sistema é simples. Existem os tubos, onde os passageiros pagam as passagens antes de entrar no ônibus evitando filas. E os tubos são elevados, deixando o embarque e desembarque mais rápido, já que os passageiros ficam na mesma altura do veículo.

Eu fui acompanhar a rotina do motorista do ligeirinho Paulo, que acorda às 3h30 da manhã e pega três ônibus para chegar na garagem e dirigir o ligeirinho pelas ruas de Curitiba.

Também pude pedalar um pouco na cidade, graças ao pessoal do FixaCWB e também tive a sorte de encontrar o cantor Plá, que cantou comigo a música "Invasão das Bicicletas".

Abaixo os três vídeos do programa:






quarta-feira, julho 30, 2008

Falanstério 73 - Gracias, Graciosa!

As cercas são pontes.

Após um dia que parecia não terminar, outro como este começou. Às seis da manhã estava de pé. Quando cheguei no café da manhã já tinha alguns companheiros da viagem para a Graciosa. Aos poucos outros foram chegando e a pequena sala de café do hotel nunca teve tanta gente reunida num domingo às 6 da manhã. O bonde para Morretes estava grande e chegamos ao número de 25. Felipe de Curitiba foi o nosso guia. Fez seu trabalho muito bem. Um grande homem, exemplo de fraternidade.

Indo para a Graciosa.

Enquanto tirávamos a foto oficial da saída com todos reunidos na frente do hotel o punk-rock baiano que não iria pedalar, resolver jogar água na galera, pois estava irritado com a pertubação do seu sono. Mais uma cena hilária da viagem. A partida estava programada para as 7, mas saímos realmente as 8. Depois que todos comeram e calibraram seus pneus partimos.

Portão principal.

Antes de começar o relato uma salva especial para as mulheres do grupo. Chantal, Aninha, Raquel, Paula e Paty. Bravas guerreiras. Invejaram muitos marmanjos. Foram nossas desbravadoras. Principalmente duas. Chantal e Paty que não estão muito acostumadas a pedalar, mas depois dessa viagem com certeza já são experientes.

Recuperando.

Retomando a cicloviagem andamos um pouco por dentro da cidade e pegamos um trecho da BR. De lá fomos por dentro até começar a Estrada da Graciosa. As belas visões já começavam com muito verde. O clima estava ótimo, cada minuto que passava mais quente ficava. E com tanta gente boa reunida não tinha como sentir frio.

No meio da natureza.

Algumas subidas que eram encaradas tranquilamente e logo chegamos na Graciosa. A primeira visão foi a estrada de terra. Adoro terra. Muito bom. Ainda bem que meu pneu trator serviu para algo. O caminho estava lindo. Muitas árvores, igrejinhas no meio dele, animais como ovelhas, cachorros, bois, cavalos e passáros. Me lembrou muito Santiago de Compostela.

Subindo!

Algumas paradas para reagrupar o pessoal, pois o ritmo de alguns era maior do que os outros. Mas como verdadeiros espartanos tínhamos nosso lema "Não abandonamos ninguém". O bom das paradas que podíamos tirar fotos, repôr energias; comendo e bebendo. E aqui deixo um agradecimento especial para Albert, que com muita maestria ficou no final do pelotão encarregado de fechar e sempre acompanhar quem ficava para trás, especialmente a nossa fotógrafa Paula que não resistia as belas paisagens para fazer seus flashes.

Os temidos paralelepípedos. (foto: ciclobr)

Depois de muita terra encontramos os asfalto. Alguns ficaram até felizes em rever os carros. Andamos na autovia e fizemos nossa Massa Crítica numa estrada federal. Os carros tinham que desviar, foi lindo. Logo depois disso a melhor parte da Graciosa começou. O pedaço da serra com paralelepípedos. Temidos por muitos quando chove. Mas para nossa felicidade o sol estava radiante e a única preocupação era freiar. Impressionante como treme. As mãos doíam muito, mas todos resistiram com louvor e força e encararam as pedras juntas da serra do sul brasileiro. Pena que a bela e guerreira Chantal teve uma queda. Depois de encarar todo o caminho anterior, ela ainda desceu sem suspensão, que força! Mas com o balançar dos paralelepípedos as mãos dela não aguentaram e por um deslize ela foi ao chão. Mas o nobre Albert estava perto e ajudou a se reerguer. Esperávamos o grupo que ficou para trás numa barraca de pastel e caldo de cana no meio da serra. Chantal apareceu, ainda não tinhamos conhecimento da queda. Ela nos contou que caiu e todos ficaram preocupados. Mas a força desta mulher não é pequena e ela disse que estava bem. Parabéns Chantal. Ainda desceu o restante da Graciosa e chegou ao Morretes como uma Lady.

Descendo vibrando.

A Massa estava toda reunida novamente e terminamos a nossa descida da serra. No pequeno trecho de asfalto que ainda pedalamos até Morretes mais belas imagens para enfeitar nossa vista. Cachoeiras, morros, rios e corrégos. Vai ser díficil esquecer isso. Aos poucos fomos chegando até o local que o ônibus fretado por nós nos esperava. Ao lado de uma igrejinha, era esse o cenário de nossa parada final. Juntos nos reunimos e brindamos a vida. Todos chegaram. Alguns machucados, mas com certeza sem dor. Apenas com cicatrizes de alegria e satisfação. Parabéns a todos que fizeram essa cicloviagem. Obrigado pela companhia.

Quase em Morretes.

* Na volta para São Paulo ainda tivemos que correr, porque já tinhamos passado do check-out. Banhos tomados rapidamente, lanches no mercado ao lado e geladeira do ônibus abastecida. Foi díficil dormir na volta. Capitão Lacerdinha, Punk Rock Baiano e Pastor Canna foram os maestros da orquestra. Uma "guerra" foi armada entre o fundão e o povo idoso da frente. Mas tudo foi resolvido. Lembrando que a música tema da viagem foi "Do Leme ao Chantal", criado pelo Pastor Canna enquanto pensava na vida. Muitas piadas, muitas risadas e finalmente quando o novo líder dormiu as pilhas acabaram. Chegamos em SP por volta das duas da manhã. Retiramos nossas bicicletas dos bagageiros e cada um seguiu seu rumo. Mas todos estão marcados eternamente. Ninguém ficou sozinho, ninguém pedalou só e ninguém ficou abandonado. Porque aqui o que vale é a união. Parabéns família Bicicletada!

Chegamos!!

terça-feira, julho 29, 2008

Falanstério 72 - Curitiba, Muito Prazer!!

Nasce mais um girassol.

A Bicicletada de São Paulo terminou por volta das 23:00 horas para a maioria, mas para quase 40 bikerlocos ela ainda iria continuar. Isso mesmo. Um ônibus fretado nos aguardava à meia-noite na Praça do Ciclista com destino à Curitiba. Nossa viagem estava programada para chegar lá de manhã e participar junto com piás e gurias na Bicicletada da capital paranaense. Lá acontece no último sábado de cada mês.

Não vai dormir ninguém. (foto: pedalante)

Enquanto o ônibus não chegava os remanescentes conversavam na praça. Diversas pizzas foram pedidas. Coincidentemente as pizzas e o ônibus chegaram juntos. Nós tínhamos a missão de colocar 37 biciletas dentro do ônibus. E enquanto fazíamos isso comíamos as pizzas. Foi uma cena inusitada. Coordenados pelo Mestre Pasqua a missão foi cumprida e fechamos as portas do bagageiro rumo à Curitiba.

"A" Fotógrafa.

Saímos quase 2 horas da manhã de São Paulo. O motorista um pouco perdido deu ainda mais uma volta pela praça. Durante a semana a promessa era de que ninguém iria dormir no ônibus e parecia que seria isso mesmo. Regados com vinhos, cervejas o povo ia animado. Apitos que foram distribuídos na Bicicletada paulistana eram usados para evitar que os dorminhocos pudessem descansar. A galera estava eufórica e a viagem prometia e muito. Paramos em Registro para um lanche e seguimos viagem. Ainda bem que o motorista não dormiu. Ficamos sabendo que ele estava com a noite virando no trabalho. Por isso os fumantes do bonde se revezam para manter ele acordado. O principal era o Mário Canna que descobriu toda a vida do condutor. Até ficou sabendo que ele herdou a profissão do pai.

A bicicleta leva o carro.

Chegamos por volta das 8:00 horas. Paramos na reitoria da Universidade Federal e apenas 3 ciclistas nos esperavam, inclusive o Eduardo Cooper, curitibano gente fina que usava uma engraçada cartola. Na hora fiquei um pouco decepcionado, pois esperava uma grande recepeção. Mas ainda estava muito cedo. A concentração era a partir das 10:30. Famintos fomos tomar nosso desejum. Mas antes tivemos que tirar todas as magrelas do ônibus e remontá-las. Esta tarefa foi mais fácil. A maioria optou por um café da manhã no Mercado Municipal da cidade, que foi bastante saboroso.

Passamos nossa mensagem em Curitiba.

Na volta até a reitoria a Massa já estava bem grande, mas a maioria era de paulistanos. Chegando lá o pessoal de Curitiba estava em peso. Agora sim a Massa Crítica estava formada. Muitas pessoas enfeitadas, balões, muitas crianças e casais. O clima era festivo e amigável. O frio prometido pelos meteorologistas não veio e o sol saiu para nos aquecer.

Família reunida.

Onze da manhã a Massa partiu. A maior da história de Curitiba. Atingiram 3 dígitos pela primeira vez, éramos mais de 150. Ocupávamos todas as faixas. Estava lindo. Panfletagem, as faixas feitas em São Paulo eram mostradas. Pessoas nas ruas tiravam fotos e olhavam admiradas. O grito mais cantado foi: "Menos caros, mais Bicicletas!". Chegando no Centro um grande comício acontecia com os candidatos das eleições. Um dos nossos pegou o microfone e entoou a música do Plá (que só iria aparecer mais tarde) "Invasão das Bicicletas". Todos cantaram juntos e no final levantaram suas magrelas como vencedores.

Já virou rotina. (foto: felipe cachaça)

Dali continuamos nosso passeio. O legal que em Curitiba o pessoal faz a chamada mandala (rotatória). Peagamos um grande cruzamento e ficamos dando voltas, enquanto os carros observavam o balé das bikes. Isso com certeza vai ser utilizado em SP. Os gritos continuavam e a cidade estava mais bonita. Finalizamos no Museu Oscar Niemeyer, mais conhecido como Olho. Mais uma mandala no chão de vidro e uma versão de blues e jazz da "Invasão das Bicicletas" com gaitas e triângulos. Quando estávamos no museu um grupo de meninas de dança de Timbó, Santa Catarina apareceu. Eram belas meninas. A massa masculina ficou empolgada e pediu algumas palhinhas de dança. Elas fizeram uma mini-apresentação para nós que ficou muito boa. E dois dos nossos ainda fizeram passos de street.

Força Tarefa ciclofaixa PR/SP.

Depois dessa festa toda, a fome bateu. Como a Bicicletada é democrática o grupo se dividiu em dois. Para um lado veganos e vegetarianos e para o outro carnívoros. Fui para a turma da carne. No caminho andamos por algumas ciclovias. Não gostei. Primeiro porque eram compartilhadas com pedestres, e muito estreitas. O asfalto não estava bom. Mas tudo bem isso não era problema. Achamos um buffet que come à vontade por R$ 10,00 e lá fomos nós. Famintos acabamos com a carne e depois encontramos os saladeiros.

Bicicletada musical

Voltamos para o ônibus, pegamos as malas e fizemos nosso check-in no Hotel Golden Star. Simples, porém confortável. Depois de um banho não consegui dormir e um grupo resolveu fazer um bike tour pela cidade. Na saída eis que surge o fantastico Plá! Com um violão nas costas e uma bolsa mágica ele apareceu do nada. Cantou 3 músicas para nós ao vivo na rua, em frente ao hotel. Além de cantar duas vezes "Invasão das Bicicletas" ele ainda profetizou a nova "Todo mundo tem um pouco". Sensacional essa visita. Depois de autógrafos e fotos e um convite para o Plá ir para Sampa fomos pedalar. Passamos no porão onde alguns ciclistas paulistanos estavam reunido para falar um pouco da nossa bicicletada e fomos encontrar o pôr do sol. Íamos ver na Ópera de Arame, mas era muito longe. Chegamos só de noite e não conseguimos entrar. Mas valeu a pena, porque no caminho Siqueira, Haase e Luciano grafitaram numa bicicletaria de Curitiba.

Plá ao vivo.

Na volta para o Hotel, nenhum descanso. Roupas trocadas para aguentar o frio da noite e fomos buscar um bar ou restaurante para curtir a noite. Depois de muito andar o grupo se dividiu. Alguns numa cantina e outros no restaurante alemão. Fiquei no alemão. Muito divertido. Tinha cerveja com canequinhas dentros. Na caneca cachaça recheava o copo. Os chamados submarinos foram o sucesso da noite. Muitos foram afundados por nós, principalmente por Toshio e Haase. Eu como não sou muito de beber, terminei minha refeição e fui deitar. O dia seguinte prometia. Iríamos sair as 7:00 da manhã para encarar a Estrada da Graciosa, rumo a cidade de Morretes. Finalmente consegui dormir. A cabeça estava tranquila, o coração feliz e a alma purificada em ter começado essa viagem e ter vivido cada momento com entusiasmo. Conhecer pessoas novas, lugares novas, rir com amigos. São coisas simples, mas fantásticas e agradeço a todos por os momentos vividos. Deitei pensando na Graciosa e ela pensando em mim.

Sincronia perfeita. (foto: felipe vieira)