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domingo, abril 26, 2009

Falanstério 100 - Acampando na Praça

Concentração na chuva. (foto: luddista)

A Bicicletada de abril foi em ritmo de camping. Alguns cicloloucos resolveram acampar em plena Praça do Ciclista, logo após a pedalada lúdica. O começo da concentração foi embaixo de chuva. Em pleno outono, nada como uma garoa paulistana para terminar o dia e começar a noite.

Antônimo. (foto: luddista)

Com certeza a chuva espantou muitos ciclistas, mas até que a Massa estava grande com cerca de 100 ciclistas. Como a Avenida Paulista estava muito congestionada resolvemos inovar. Passamos em fila indiana pelo corredor formado entre os carros. Quando o congestionamento acabou formamos a já tradicional Massa Crítica.

Família que pedala unida, permanece unida. (foto: luddista)

Pedalamos pela Avenida Paulista até a Praça Oswaldo Cruz. Nessa altura a chuva já tinha parado. Descemos em direção ao Centro. Demos uma volta pela Rua Avanhandava onde fica os restaurante da Famiglia Mancini. Descemos a Rua Augusta, cruzamos o Teatro Municipal e paramos rapidamente no Vale do Anhagabaú. Fomos até a Estação da Luz e passamos por dentro da estação gritando: "Menos carros, mais bicicletas".

O acampamento. (foto: luddista)

Voltamos em direção a Avenida Paulista subindo pela Rua Augusta. Pedalamos com diversão. Quando chegamos na Praça já tinha três barracas armadas. Eu não fiquei para acampar, mas pelas fotos, vi que a noite foi longa e o pessoal ficou até o dia raiar. Tinha até fogueira. É assim que o espaço público deve ser usado pelas pessoas. Manter uma convivência é algo impressionante e muitas pessoas não sabem disso, pois ficam presas nas bolhas da vida!

Acordando na Praça. (foto: luddista)

segunda-feira, março 02, 2009

Falanstério 92 - Bicicletada de Fevereiro 2009

Francisco Emplacado. (foto: pollyrosa)

Faz um bom tempo que eu não atualizo esse blog de verdade. Não tive mais aquela vontade de sentar e começar a escrever, ou de fazer minhas crônicas, como o amigo Toni fala. Ainda mais depois que nossa amiga Márcia se foi tive menos vontade ainda. Mas essa semana me deu vontade de novo de escrever e a inspiração voltou um pouco. Vou falar um pouco de como foi a Bicicletada de Fevereiro.

Conversa no meio do trânsito. (foto: pollyrosa)

Creio que essa foi a Massa Crítica paulistana com o maior número de pessoas. Era impressionante a quantidade de ciclistas na hora da saída. A Avenida Paulista ficou tomada pelas bikes e eu fico fazendo o corking (segurar os carros nos semáforos) e com isso consigo ver a Massa passar inteirinha. Tivemos que ocupar três faixas da Paulista e liberar apenas a faixa preferencial dos ônibus.

Bicicletada passa pela Avenida Paulista. (foto: pollyrosa)

Com o número crescente de ciclistas, mais demora para passar nos semáforos e os motoristas e principalmente os motoboys ficam muito impacientes. Num cruzamento da Paulista um motoboy ameaçou acelerar para cima da Massa. Os ciclistas do corking impediram e na hora que o motoqueiro foi arrancar de novo apenas girei a chave dele e a moto desligou. Simples! Nós não temos motor e ninguém pode desligar a gente! O motoboys (4) se exaltaram, mas a Massa se uniu. Mais de 40 ciclistas foram para cima com uma cara de "Que foi, algum problema?". Nisso os motoboys esperaram e tudo acabou bem. É exatamente o que eles fazem quando tem algum acidente envolvendo carro e moto.

Corking. (foto: pollyrosa)

Fizemos a tradicional volta pela Paulista até a Rua Pamplona. Descemos a Pamplona que ficou dominada pelas magrelas. Estava muito bonito mesmo. Passamos pelas escuras ruas do Jardim Europa. Cruzamos as Avenidas Brasil e Brigadeiro Luiz Antônio. Rapidamente passamos pela Rua República do Líbano e depois invadimos o Túnel Ayrton Senna. Um barulho dentro do túnel bom de se ouvir. Nada de motor ou buzinas e sim pessoas gritando e o barulho da corrente girando pela catraca e as luzinhas dos refletores das magrelas brilhando dentro do Túnel.

Dentro do Túnel Ayrton Senna. (foto: pollyrosa)

Chegamos na Avenida Juscelino Kubitschek, viramos na Clodorimo Amazonas e os gritos "De bike não tem lei seca" entoaram nos bares da região. Infelizmente um motorista apressado causou um atropelamento intencional numa ciclista e a polícia teve que aparecer. A Massa se dividiu, alguns foram para a Delegacia e a maioria seguiu em direção a Praça do Ciclista. Passamos por um pequeno pedaço na Avenida Faria Lima, e depois pedalamos pela Rua Amauri. Nesta rua os comerciantes dos restaurantes se uniram, mandaram uma carta para a prefeitura e pediram que os ônibus não passem pela rua, já que eles atrapalham as manobras dos valets. Piada né? Não passa ônibus para poder manobrar os carros, que beleza!

Na Avenida Nove Julho. (foto: pollyrosa)

Depois seguimos pela Avenida Nove de Julho. Parei para ajudar a Evelyn e o Mathias a trocarem o pneu da menina. Mas na verdade fiquei fazendo companhia, porque o talentoso Márcio apareceu e fez a troca num piscar de olhos. Voltamos em cinco e encontramos a Massa Crítica na Praça. Foram mais de 3 horas de uma pedalada tranquila pelas ruas da cidade. Alguns acontecimentos tristes aconteceram, mas nada que possa manchar a imagem da Bicicletada e no dia 14 de março estejam preparados, pois a Segunda Pedalada Pelada irá acontecer!

Márcia Vive. (foto: pollyrosa)

Mais fotos e relatos, clique aqui.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Falanstério 90 - Unidos Sempre, Separados Jamais!!


O carro degrada e segrega, já a bicicletada recupera e congrega. Por isso a Bicicletada Paulistana de Novembro visa celebrar a União. A união entre seres humanos, entre os povos. Diminuindo a distância entre as pessoas e a cidade, uma distância essa que só tem aumentado devido ao uso abusivo dos carros.

O local? O mesmo de sempre, Praça (ainda não sinalizada) do Ciclista, que fica no canteiro central da Avenida Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra.

O horário? O mesmo de sempre, concentração a partir das 18:00 e saída as 20:00.

O trajeto? Como sempre decidido na hora, mas dessa vez, tudo leva a crer que o caminho escolhido é o que leva as pessoas ao altar.

Apareça e confira, em caso de chuva a Bicicletada esta automaticamente CONFIRMADA, pois casório com chuva dá mais sorte ainda.

Saiba mais:

::. Bicicletada .::. Massa Crítica em São Paulo .::.
:. sexta-feira (28/11)
:. concentração lúdico-educativa: 18h
:. Massa Crítica para humanizar o trânsito: 20h00

Local: Praça do Ciclista

::. Dicas e referências .::.

.::. panfletos e cartazes:

.::. sobre a Praça do Ciclista:

: . : . : . Site da Bicicletada

::. Sobre a Bicicletada .::.

: . : . : . O que é a Bicicletada
: . : . : . Massa crítica - wikipedia
: . : . : . Fale com a Bicicletada

quarta-feira, setembro 10, 2008

Falanstério 79 - CicloCine e Bicine 2008

arte: luddista

Inspirados com o Pedal Cultural, os adeptos da modalidade simples e inteligente criaram o CicloCine.

Filmes com um conteúdo voltado para o movimento independente e de propulsão humana. A primeira sessão acontece nesta quinta-feira (11/09) no Espaço Contraponto. Na abertura do festival, curtas-metragens sobre a Bicicletada e depois o atrativo principal, com o documentário Taken for a Ride. Entre, fique à vontade e puxe sua cadeira.

E aproveitando o tema de películas, uma dica Ibérica. Entre os dias 16 e 22 de setembro, irá acontecer mais uma edição do Bicine. O evento faz parte da Semana Européia da Mobilidade e será realizado na praiana Valência. Clicando aqui é possível ver a programação deste festival de curtas quem tem como tema principal a bicicleta.

O recado foi dado. Em São Paulo ou em Valência, com pipoca ou com paella o que vale é ver filme e pedalar com proeza.



Referências:

Apocalipse Motorizado - Em cartaz: Ciclocine
Pedalante - Bicine 08

segunda-feira, setembro 08, 2008

Falanstério 78 - Quando nós vivemos!

Nas alturas.

No dia 7/09, o Brasil comemora a Independência. Desfiles, militares, políticos querendo mostrar poder. Mas no ano de 2008 alguns ciclistas/poetas não comemoram a liberdade (?) de um povo. Percorreram as ruas da "Paulicéia Desvairada" com o intuito de conhecer os locais que o escritor Mário de Andrade disse onde deixaria as partes do seu corpo depois que fosse para outra dimensão.

Ponto de encontro de sempre.

Tinha tudo para ser um dia inspirador. E foi! Durante a semana as previsões indicavam chuva e tempo frio. Mas Mário de Andrade não iria deixar uma dia especial sobre ele molhado e gelado. O sol amanheceu tímido entre as nuvens, assim como as pessoas que iam chegando na Praça do Ciclista. A saída estava marcada para as 9:00 da manhã. Mas pedir pontualiadade num domingo que tinha cara de chuva era pedir muito. Depois de esperar alguns colocarem suas bandeirolas nas bicicletas (doadas pelo gentil Haase) e aguardar alguns atrasados o primeiro Pedal Cultural partiu às 9:30.

Alegria!!!

Estávamos em 25. Esse número foi aumentando e diminuindo durante o passeio. Mas todos sempre juntos com apenas um objetivo, viver a vida com alegria e compartilhar conhecimento. "Guiados" pelo maestro Toni descemos a Rua da Consolação e fizemos a nossa primeira parada. Paramos no Cemitério que tem o mesmo nome da rua. E ali começou o que teríamos em todas as paradas; a História contada por Toni, as árvores explicadas por Mig e as ruas com seus nomes explicados por mim.

"O nariz guardem nos rosais."

Na Rua Maria Antônia mais um recital de estórias. "O joelho na Universidade. Saudade.", assim Andrade disse. Depois esquecemos a cabeça do poeta na rua Lopes Chaves, como ele mesmo pediu. Paramos exatamente no cruzamento da rua que leva o nome do escritor que ajudou a realizar a Semana de Arte Moderna de 1922. Lógico que tínhamos que parar por ali. Mig com mais uma bela aula sobre a vida verde e Toni com sua memória estupenda fez até quem estava de carro ouvir mais uma parte da História.

Maria Antonieta?

Fizemos uma pausa estratégica para reabastecer. Mas quando ciclista para no posto não é para colcocar gasolina e sim calibrar pneu e encher a pança. Energias recuperadas e pedalada rumo ao Pico.

Amizade.

Depois um pouco de cicloativismo. Fizemos um teste pela ciclovia da Avenida General Edgar Facó. Analisamos e pedalamos por ali e chegamos numa conclusão; quem planejou a "ciclovia" não anda de bicicleta e não sabe o que é realmente uma ciclovia. Mas pelo menos fizemos um divertida mini-mandala.

A ciclovia serve para diversão.

Nossa próxima parada era o Pico do Jaraguá. O maior desafio do dia. Ainda não sabíamos se iríamos pedalando ou pararíamos na base e subíamos a pé. Tivemos que esperar o amigo Toshio na estação de trem Vila Clarice. Uma troca; sai Laércio e entra Toshio. Enquanto aguardávamos o câmbio paramos numa praça e descontraímos mais um pouco. Piadas do Canna alegravam ainda mais o ambiente.

A hora das estrelas.

Toshio se juntou à Massa Cultural e fomos rumo ao Pico. No caminho muitos buracos e algumas subidas. Uma parada na reserva indígena próxima a base da montanha e começamos a pedalar. Ninguém ousou em deixar a bicicleta na base e subir a pé. "Ciclista que sou, ao meu destino vou.". Esse era o espírito. A subida começou leve. O visual era deslumbrante. 4 km só de subida até o cume.

Apenas o começo.

Sempre fui motivado pelo hermano Toni a desbravar essa montanha e hoje era o grande dia. Eu tinha apenas uma coisa em mente, não descer da bike e chegar até o final. E assim fui fazendo. Toni me avisou que os 600 metros finais eram de queimar os músculos e ele tinha razão. Me concentrei. As pernas queimavam, pediam para parar, mas a mente e o coração estavam estimulados a não desistir. Pneus trator e uma mochila pesada no bagageiro dificultavam ainda mais a pedalada. O ritmo foi diminuindo mas as pernas se mexiam. Quase no final, uma vista arrebatadora da cidade de São Paulo surgiu encoberta por uma agradável neblina. A visão me motivou ainda mais e escalei com mais força. Na última curva a glória! Cheguei no Pico do Jaraguá. Dividi a alegria da chegada com Ju Highlander e Mig. Quando parei a bike e coloquei as pernas no chão, os músculos tremiam, mas não de medo e sim de força!

Adelante Maestro.

Aos poucos todos foram chegando. Um mais cansados que os outros, mas o que importava que todos estavam no alto. Mário de Andrade recitou: "Os olhos lá no Jaraguá, assistirão ao que há de vir.". Nossos olhos viram coisas fascinantes. A alegria de cada um em realizar esse desafio, a vista do alto da "Paulicéia Desvairada", a empolgação de Toni ao contar as lendas do Pico. As fotos tiradas com emoção. A aula de relaxamento/alongamento feita por meninas e menino. Tudo perfeito.

Inspira e Respira.

E para melhorar ainda mais o sol apareceu. Saiu das nuvens e iluminou ainda mais o nosso dia. Um pic-nic foi montado no anfiteatro do Pico. Queijos, vinhos, geléias, torradas e muita descontração. O sarau começou. Poesias e poemas eram declamados. Músicas eram entoadas e risos eram jogados no ar. O clímax foi quando Mig retirou sua flauta da mochila e chamou todos para dançar. Foi espontâneo. O som saiu da flauta e nós começavamos a nos mexer. Palmas, passos de dança, pulos e troca de carinhos este foi o resultado da canção entoada no alto da cidade.

Voando literalmente.

Quem estava de fora olhava curioso. Parecia que queria entrar na festa. Mas muitos tinham vergonha. Mas uma pessoa não teve. A pequena e bela Flávia com seus cabelos dourados e poucos anos de vida. Apareceu como uma folha que veio voando de um local distante e se juntou a nós. Repassou alegria, aumentou a descontração e fez todos ficarem encantados com seu jeito de falar "De novo" e pedir mais uma brincadeira. Um anjo que passou e depois se foi.

La bella ruvia.

Depois desse momento inesquecível reunimos nossas coisas e partimos para a descida. Momento de muita concentração e habilidade. O grande perigo eram as curvas e os malucos/irresponsáveis que pegam caronas nos carros que sobem e depois descem em bicicletas de péssima qualidade a todo vapor sem temer por sua vida e pela dos outros.

Sem medo de cair.

Eu desci no pelotão da frente. Numa média de 65 km/hora cheguei na base alucinado com a adrenalina da descida. O pessoal que vinha atrás estava demorando a chegar. Nós que estávamos esperando ficamos preocupados. E quando começamos a subir o Pico de novo a Massa surgiu. A demora foi devido à duas quedas. Haase que teve a infelicidade de bater de frente com um dos malucos/irresponsáveis que caiu do carro que segurava para subir e acabou aparecendo na frente do nosso amigo. E Toshio que se empolgou com os 70 km/hora, marcados no velocímetro e esqueceu de fazer a curva. Algumas escoriações, dores, mas nada que poderia fazer eles pararem.

Primeiros socorros.

Após o susto seguimos até a Rua Aurora no Centro de São Paulo. Quatro preferiram seguir de trem/metrô e os que ficaram foram pedalando até o próximo sarau. Chegamos em exatos 60 minutos. E ainda chegamos antes dos que foram de trem. Mais um intermodal vencido pela bicicleta. A feira que estava no cruzamento da Aurora estava terminando. Compramos bananas que foram distribuídas entre todos. Quatro ciclistas que dormiram até mais tarde se juntaram na Massa. Depois que "enterramos" os pés de Andrade na Aurora continuamos o trajeto.

Yes, nós temos banana.

No Largo do Paissandu deixamos seu sexo, no Correio escondemos seu ouvido direito; e o esquerdo deixamos nos Telégrafos. "No Pátio do Colégio, afundem meu coração paulistano: Um coração vivo e um defunto bem juntos.". O poeta pediu que deixasse seu coração onde a cidade foi fundada e por lá ficamos.

Aula a céu aberto.

Nas badaladas do Sino da Paz terminamos a poesia. Luzes que surgiam através do gás. O sol que ia embora aos poucos. A flauta mágica do Mig sendo entoada mais uma vez, agora com a companhia da doce voz de Polly. Passos de dança mais tímidos, porque o momento era de instropecção. No final da melodia, um forte aplauso. Não deixamos a língua do poeta no Ipiranga porque o tempo foi curto. Mas foi bom. Ele nunca deve parar de falar. Deve estar sempre presente em nossos corações e que todos possam compartilhar seus ensinamentos. Foi o primeiro Pedal Cultura, mas foi apenas o começo, porque se Bicicleta é poesia, Bicicletada é diversão e arte!

Roda da Paz.

Mais informações, fotos e relatos:

Pedalante - Foto Pedal Cultural
Fourier - Fotos Pedal Cultural
PedaleToni Vídeos - (1) (2) (3)
O Guia Verde - Por Priscilla Santos
Fahrrad - Fotos Pedal Cultural
Fahrrad Vídeos - (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10)
Apocalipse Motorizado - Massa de Domingo, o Pedal Cultural
Bicicletada.org - Pedal Cultural
Mocó do Canna - Foto Pedal Cultural

quinta-feira, agosto 28, 2008

Falanstério 75 - De Terno e Gravata a Gente Pedala!


Agosto chegou e nos trouxe mais uma Bicicletada. A Massa Crítica Paulistana convida as pessoas a ocuparem o espaço público de maneira inteligente.

Centenas de pessoas em seus veículos não-motorizados irão comemorar o transporte dos "Executivos" que não poluem, não fazem barulho e não desperdiçam espaço nas ruas.

Você aí parado, aqui fora é o melhor lado!

Aqui você sempre será bem vindo, não importa o valor do seu carro ou a grife da sua cueca. Coloque seu terno, vestido ou tailleur e venha a caráter.

A Bicicletada Paulistana (Critical Mass) acontece sempre na última sexta feira do mês há mais de 6 anos, e em mais de 400 cidades em todo mundo. Para participar, a única obrigatoriedade é comparecer ao ponto de encontro com um meio de transporte não motorizado. Pode ser bicicleta, patins, skate ou até mesmo com seus próprios pés.

Não tem bicicleta ou não sabe pedalar ?... sem problemas. Apareça o quanto antes na praça e veja como fazer para pegar uma bicicleta emprestada, ou faça uma horinha na recepção do nosso escritório na praça.

A concentração é a partir das 18:00.

As 20:00 começa o pedal lúdico-educativo, retornando a praça para a continuação do "Street Office" em plena Avenida Paulista.

Em caso de chuva, o evento está automaticamente CONFIRMADO, já que não teremos mais "batente", e estaremos em nossa " happy hour " .

* Traje social recomendado, mas não obrigatório.

* Se preferir, venha de bonde: http://www.bicicletada.org/bondes+locais+-+29-08-08

* Mais informações: http://www.bicicletada.org/SaoPaulo

quarta-feira, julho 30, 2008

Falanstério 73 - Gracias, Graciosa!

As cercas são pontes.

Após um dia que parecia não terminar, outro como este começou. Às seis da manhã estava de pé. Quando cheguei no café da manhã já tinha alguns companheiros da viagem para a Graciosa. Aos poucos outros foram chegando e a pequena sala de café do hotel nunca teve tanta gente reunida num domingo às 6 da manhã. O bonde para Morretes estava grande e chegamos ao número de 25. Felipe de Curitiba foi o nosso guia. Fez seu trabalho muito bem. Um grande homem, exemplo de fraternidade.

Indo para a Graciosa.

Enquanto tirávamos a foto oficial da saída com todos reunidos na frente do hotel o punk-rock baiano que não iria pedalar, resolver jogar água na galera, pois estava irritado com a pertubação do seu sono. Mais uma cena hilária da viagem. A partida estava programada para as 7, mas saímos realmente as 8. Depois que todos comeram e calibraram seus pneus partimos.

Portão principal.

Antes de começar o relato uma salva especial para as mulheres do grupo. Chantal, Aninha, Raquel, Paula e Paty. Bravas guerreiras. Invejaram muitos marmanjos. Foram nossas desbravadoras. Principalmente duas. Chantal e Paty que não estão muito acostumadas a pedalar, mas depois dessa viagem com certeza já são experientes.

Recuperando.

Retomando a cicloviagem andamos um pouco por dentro da cidade e pegamos um trecho da BR. De lá fomos por dentro até começar a Estrada da Graciosa. As belas visões já começavam com muito verde. O clima estava ótimo, cada minuto que passava mais quente ficava. E com tanta gente boa reunida não tinha como sentir frio.

No meio da natureza.

Algumas subidas que eram encaradas tranquilamente e logo chegamos na Graciosa. A primeira visão foi a estrada de terra. Adoro terra. Muito bom. Ainda bem que meu pneu trator serviu para algo. O caminho estava lindo. Muitas árvores, igrejinhas no meio dele, animais como ovelhas, cachorros, bois, cavalos e passáros. Me lembrou muito Santiago de Compostela.

Subindo!

Algumas paradas para reagrupar o pessoal, pois o ritmo de alguns era maior do que os outros. Mas como verdadeiros espartanos tínhamos nosso lema "Não abandonamos ninguém". O bom das paradas que podíamos tirar fotos, repôr energias; comendo e bebendo. E aqui deixo um agradecimento especial para Albert, que com muita maestria ficou no final do pelotão encarregado de fechar e sempre acompanhar quem ficava para trás, especialmente a nossa fotógrafa Paula que não resistia as belas paisagens para fazer seus flashes.

Os temidos paralelepípedos. (foto: ciclobr)

Depois de muita terra encontramos os asfalto. Alguns ficaram até felizes em rever os carros. Andamos na autovia e fizemos nossa Massa Crítica numa estrada federal. Os carros tinham que desviar, foi lindo. Logo depois disso a melhor parte da Graciosa começou. O pedaço da serra com paralelepípedos. Temidos por muitos quando chove. Mas para nossa felicidade o sol estava radiante e a única preocupação era freiar. Impressionante como treme. As mãos doíam muito, mas todos resistiram com louvor e força e encararam as pedras juntas da serra do sul brasileiro. Pena que a bela e guerreira Chantal teve uma queda. Depois de encarar todo o caminho anterior, ela ainda desceu sem suspensão, que força! Mas com o balançar dos paralelepípedos as mãos dela não aguentaram e por um deslize ela foi ao chão. Mas o nobre Albert estava perto e ajudou a se reerguer. Esperávamos o grupo que ficou para trás numa barraca de pastel e caldo de cana no meio da serra. Chantal apareceu, ainda não tinhamos conhecimento da queda. Ela nos contou que caiu e todos ficaram preocupados. Mas a força desta mulher não é pequena e ela disse que estava bem. Parabéns Chantal. Ainda desceu o restante da Graciosa e chegou ao Morretes como uma Lady.

Descendo vibrando.

A Massa estava toda reunida novamente e terminamos a nossa descida da serra. No pequeno trecho de asfalto que ainda pedalamos até Morretes mais belas imagens para enfeitar nossa vista. Cachoeiras, morros, rios e corrégos. Vai ser díficil esquecer isso. Aos poucos fomos chegando até o local que o ônibus fretado por nós nos esperava. Ao lado de uma igrejinha, era esse o cenário de nossa parada final. Juntos nos reunimos e brindamos a vida. Todos chegaram. Alguns machucados, mas com certeza sem dor. Apenas com cicatrizes de alegria e satisfação. Parabéns a todos que fizeram essa cicloviagem. Obrigado pela companhia.

Quase em Morretes.

* Na volta para São Paulo ainda tivemos que correr, porque já tinhamos passado do check-out. Banhos tomados rapidamente, lanches no mercado ao lado e geladeira do ônibus abastecida. Foi díficil dormir na volta. Capitão Lacerdinha, Punk Rock Baiano e Pastor Canna foram os maestros da orquestra. Uma "guerra" foi armada entre o fundão e o povo idoso da frente. Mas tudo foi resolvido. Lembrando que a música tema da viagem foi "Do Leme ao Chantal", criado pelo Pastor Canna enquanto pensava na vida. Muitas piadas, muitas risadas e finalmente quando o novo líder dormiu as pilhas acabaram. Chegamos em SP por volta das duas da manhã. Retiramos nossas bicicletas dos bagageiros e cada um seguiu seu rumo. Mas todos estão marcados eternamente. Ninguém ficou sozinho, ninguém pedalou só e ninguém ficou abandonado. Porque aqui o que vale é a união. Parabéns família Bicicletada!

Chegamos!!

terça-feira, julho 29, 2008

Falanstério 72 - Curitiba, Muito Prazer!!

Nasce mais um girassol.

A Bicicletada de São Paulo terminou por volta das 23:00 horas para a maioria, mas para quase 40 bikerlocos ela ainda iria continuar. Isso mesmo. Um ônibus fretado nos aguardava à meia-noite na Praça do Ciclista com destino à Curitiba. Nossa viagem estava programada para chegar lá de manhã e participar junto com piás e gurias na Bicicletada da capital paranaense. Lá acontece no último sábado de cada mês.

Não vai dormir ninguém. (foto: pedalante)

Enquanto o ônibus não chegava os remanescentes conversavam na praça. Diversas pizzas foram pedidas. Coincidentemente as pizzas e o ônibus chegaram juntos. Nós tínhamos a missão de colocar 37 biciletas dentro do ônibus. E enquanto fazíamos isso comíamos as pizzas. Foi uma cena inusitada. Coordenados pelo Mestre Pasqua a missão foi cumprida e fechamos as portas do bagageiro rumo à Curitiba.

"A" Fotógrafa.

Saímos quase 2 horas da manhã de São Paulo. O motorista um pouco perdido deu ainda mais uma volta pela praça. Durante a semana a promessa era de que ninguém iria dormir no ônibus e parecia que seria isso mesmo. Regados com vinhos, cervejas o povo ia animado. Apitos que foram distribuídos na Bicicletada paulistana eram usados para evitar que os dorminhocos pudessem descansar. A galera estava eufórica e a viagem prometia e muito. Paramos em Registro para um lanche e seguimos viagem. Ainda bem que o motorista não dormiu. Ficamos sabendo que ele estava com a noite virando no trabalho. Por isso os fumantes do bonde se revezam para manter ele acordado. O principal era o Mário Canna que descobriu toda a vida do condutor. Até ficou sabendo que ele herdou a profissão do pai.

A bicicleta leva o carro.

Chegamos por volta das 8:00 horas. Paramos na reitoria da Universidade Federal e apenas 3 ciclistas nos esperavam, inclusive o Eduardo Cooper, curitibano gente fina que usava uma engraçada cartola. Na hora fiquei um pouco decepcionado, pois esperava uma grande recepeção. Mas ainda estava muito cedo. A concentração era a partir das 10:30. Famintos fomos tomar nosso desejum. Mas antes tivemos que tirar todas as magrelas do ônibus e remontá-las. Esta tarefa foi mais fácil. A maioria optou por um café da manhã no Mercado Municipal da cidade, que foi bastante saboroso.

Passamos nossa mensagem em Curitiba.

Na volta até a reitoria a Massa já estava bem grande, mas a maioria era de paulistanos. Chegando lá o pessoal de Curitiba estava em peso. Agora sim a Massa Crítica estava formada. Muitas pessoas enfeitadas, balões, muitas crianças e casais. O clima era festivo e amigável. O frio prometido pelos meteorologistas não veio e o sol saiu para nos aquecer.

Família reunida.

Onze da manhã a Massa partiu. A maior da história de Curitiba. Atingiram 3 dígitos pela primeira vez, éramos mais de 150. Ocupávamos todas as faixas. Estava lindo. Panfletagem, as faixas feitas em São Paulo eram mostradas. Pessoas nas ruas tiravam fotos e olhavam admiradas. O grito mais cantado foi: "Menos caros, mais Bicicletas!". Chegando no Centro um grande comício acontecia com os candidatos das eleições. Um dos nossos pegou o microfone e entoou a música do Plá (que só iria aparecer mais tarde) "Invasão das Bicicletas". Todos cantaram juntos e no final levantaram suas magrelas como vencedores.

Já virou rotina. (foto: felipe cachaça)

Dali continuamos nosso passeio. O legal que em Curitiba o pessoal faz a chamada mandala (rotatória). Peagamos um grande cruzamento e ficamos dando voltas, enquanto os carros observavam o balé das bikes. Isso com certeza vai ser utilizado em SP. Os gritos continuavam e a cidade estava mais bonita. Finalizamos no Museu Oscar Niemeyer, mais conhecido como Olho. Mais uma mandala no chão de vidro e uma versão de blues e jazz da "Invasão das Bicicletas" com gaitas e triângulos. Quando estávamos no museu um grupo de meninas de dança de Timbó, Santa Catarina apareceu. Eram belas meninas. A massa masculina ficou empolgada e pediu algumas palhinhas de dança. Elas fizeram uma mini-apresentação para nós que ficou muito boa. E dois dos nossos ainda fizeram passos de street.

Força Tarefa ciclofaixa PR/SP.

Depois dessa festa toda, a fome bateu. Como a Bicicletada é democrática o grupo se dividiu em dois. Para um lado veganos e vegetarianos e para o outro carnívoros. Fui para a turma da carne. No caminho andamos por algumas ciclovias. Não gostei. Primeiro porque eram compartilhadas com pedestres, e muito estreitas. O asfalto não estava bom. Mas tudo bem isso não era problema. Achamos um buffet que come à vontade por R$ 10,00 e lá fomos nós. Famintos acabamos com a carne e depois encontramos os saladeiros.

Bicicletada musical

Voltamos para o ônibus, pegamos as malas e fizemos nosso check-in no Hotel Golden Star. Simples, porém confortável. Depois de um banho não consegui dormir e um grupo resolveu fazer um bike tour pela cidade. Na saída eis que surge o fantastico Plá! Com um violão nas costas e uma bolsa mágica ele apareceu do nada. Cantou 3 músicas para nós ao vivo na rua, em frente ao hotel. Além de cantar duas vezes "Invasão das Bicicletas" ele ainda profetizou a nova "Todo mundo tem um pouco". Sensacional essa visita. Depois de autógrafos e fotos e um convite para o Plá ir para Sampa fomos pedalar. Passamos no porão onde alguns ciclistas paulistanos estavam reunido para falar um pouco da nossa bicicletada e fomos encontrar o pôr do sol. Íamos ver na Ópera de Arame, mas era muito longe. Chegamos só de noite e não conseguimos entrar. Mas valeu a pena, porque no caminho Siqueira, Haase e Luciano grafitaram numa bicicletaria de Curitiba.

Plá ao vivo.

Na volta para o Hotel, nenhum descanso. Roupas trocadas para aguentar o frio da noite e fomos buscar um bar ou restaurante para curtir a noite. Depois de muito andar o grupo se dividiu. Alguns numa cantina e outros no restaurante alemão. Fiquei no alemão. Muito divertido. Tinha cerveja com canequinhas dentros. Na caneca cachaça recheava o copo. Os chamados submarinos foram o sucesso da noite. Muitos foram afundados por nós, principalmente por Toshio e Haase. Eu como não sou muito de beber, terminei minha refeição e fui deitar. O dia seguinte prometia. Iríamos sair as 7:00 da manhã para encarar a Estrada da Graciosa, rumo a cidade de Morretes. Finalmente consegui dormir. A cabeça estava tranquila, o coração feliz e a alma purificada em ter começado essa viagem e ter vivido cada momento com entusiasmo. Conhecer pessoas novas, lugares novas, rir com amigos. São coisas simples, mas fantásticas e agradeço a todos por os momentos vividos. Deitei pensando na Graciosa e ela pensando em mim.

Sincronia perfeita. (foto: felipe vieira)